-->

domingo, 3 de junho de 2012

Morfologia Externa de Orquídeas para Leigos.


Caso não tenha lido tudo de primeira vá direto para o ponto mais próximo de onde parou sem ficar rolando a pagina!













Introdução:

Olá pessoal! Como prometido, sai agora do forno a postagem sobre morfologia externa das orquídeas. Agora, o porque do título "...para Leigos"? Simples gente, porque boa parte dos orquidófilos e principalmente iniciantes não possuem conhecimentos mais aprofundados na área da bot6anica ou ciências relacionadas pelo simples fato ou de não terem tido oportunidade ou porque simplesmente possuem afinidades e formação em outras áreas, o que não impede claro que essas gostem de orquídeas e as tente entende-las e então muitas vezes se busca informações, mas pelo fato desse assunto ser um assunto que obrigatoriamente vai se usar muitos nomes e termos técnico acaba que a leitura se torna complicada, confusa e desinteressante muitas vezes, embora muito importante. Portanto, a intenção aqui é de tentar trazer esse assunto tentando ser bem abrangente, mas tentando usar uma linguagem bem simplificada, embora, claro que alguns nomes e termos possam ser usados, mas claro que serão tratados assuntos mais gerais, mas que possam ser importante para melhorar o cultivo das nossas belas orquídeas e para quem quiser ler e se aprofundar mais no assunto deixarei links de textos de algumas fontes para poderem aprofundar na leitura e comparar as informações existentes. Sem mais blá blá blá vamos ao que interessa.




Raíz:

Começando os trabalhos vamos começar por uma parte que merece muitas atenções e muitas vezes a gente mal olha para elas e não vê sua importância para o bom desenvolvimento das mesmas. Pois bem, estou falando das nobres raízes de orquídeas, que são em sua maioria raízes aéreas(nas epífitas) providas de um tecido especial, que é uma das características marcantes da família Orchidaceae que é o velame, sendo esse uma cama de células mortas que pode ter espessura variada dependendo do habitat em que essa planta vive, variando também de espécie para espécie, mas de modo geral a sua função é além de proteção a captação de água e nutrientes de forma PASSIVA funcionando como uma "esponja" e também evitando que essas raízes expostas ressequem facilmente. Quanto a espessura desse velame ele pode ser bem grosso, em geral nas epífitas, onde são bem desenvolvidos, nas rupícolas também apresentam uma boa espessura, entretanto mais finos um pouco e essas raízes em geral não alcançam longos comprimentos se limitando àquele pequeno trecho com substrato que em geral existe nas fissuras das rochas onde elas vivem e nas terrestres esse velame tende a ser mais fino, devido ao fato das raízes estarem enterradas em solo com mais umidade, ou em camada de matéria orgânica, e por essa razão essas raízes são mais sensíveis a ressecamento. Muitas terrestres também possuem raízes engrossadas como raízes tuberosas com grande acúmulo de reservas. Outra característica marcante é que muitas destas raízes, principalmente nas plantas desprovidas de folhas ou com apenas rudimentos foliares possuem a capacidade de fazer fotossíntese, mostrando outra adaptação incrível dessas magníficas plantas. Quanto a sua ponta, em geral, esverdeada essa é onde se encontra a região de crescimento da raíz, o meristema subapical, e ele é subapical porque ele na verdade não fica na ponta da raíz e sim envolvido por uma camada protetora que funciona como uma capa que é a coifa que é representada por essa ponta verde ou de outra cor nas raízes. Segue agora uma foto mostrando sem dar exatidão da posição exata das estruturas, mas dando uma noção de sua localização na ponta da raíz.


Voltando ao velame, este é facilmente reconhecido, pois ele se destaca facilmente ao quebrar uma raíz, como se fosse uma capa e aquele fiozinho que sobra sim é a parte funcional da raíz, onde tem os feixes vasculares, portanto se no manuseio de nossas plantas, sem querer quebramos uma raíz, na verdade estamos quebrando o velame, mas essa raíz ainda continua viva e funcionando, não precisando assim ser cortada e com o tempo ela tenderá a soltar ramificações.
Outra característica das raízes importante é que elas em geral se orientam pela umidade, o que é mostrado com fotos em uma outra postagem, ao qual colocarem um atalho aqui para quem quiser ver com mais detalhes isso.
Essas raízes, assim como nas monocotiledôneas de modo geral são adventícias, ou seja, surgem ao longo do caule durante toda a vida da planta sem ter origem no embrião da semente e assim constituem o sistema fasciculado ou cabeleira de raízes. Vejam agora fotos de diversos tipos de orquídeas de diversos calibres e cores diferente de pontas.

Raíz de Vanda


Raíz de Dendrobium

Raíz de Dendrobium

Raíz de Cattleya

Raíz de Cattleya

Estrutura de ninho formada por raíz de Grammatophyllum

Algumas orquídeas como Catasetuns e Grammatophylluns podem desenvolver mais uma especialização em suas raízes, em geral essas plantas possuem raízes de calibres mais grossos que elas lançam para se fixarem e e absorver água e nutrientes, mas com o tempo também costumam desenvolver raízes finas, que em geral crescem no sentido contrário ao do substrato e se enovelando formando uma estrutura semelhante a um ninho, que provavelmente devem ter a função de manter um ambiente mais úmido perto da planta e aproveitar a matéria orgânica em decomposição que se deposita ali. Por falar em calibre de raíz de orquídeas esses diferentes calibres que as plantas apresentam nos ajudam no momento da escolha do substrato, sendo que orquídeas de raízes de calibres mais finos, em geral podem ser plantados em substratos mais finos, já que elas normalmente possuem uma melhor resistência a substratos mais antigos sem apresentar tantos problemas e já as de raízes de calibre médio preferem substratos mais grosseiros, mas sem ser grossos demais e as de raízes  bem grossas em geral gostam de substratos bem grosseiros e arejados, entretanto quando se fala de terrestres essa regra já não vale pois o funcionamento das raízes e a tolerância ao ressecamento destas é completamente diferente se comparando com as epífitas e algumas rupícolas. Concluindo o assunto RAÍZ gente elas nos dizem muito como está a saúde de nossas plantas e qual a melhor forma do seu plantio.


Após a raíz vamos explorar um pouco o caule das orquídeas, sendo que estes vão variar de acordo com seu hábito de crescimento, mas o que todos tem em comum e que define ser um caule é a presença de nós, entrenós, que é o espaço entre dois nós, gema apical composto pelo meristema apical que é a região de crescimento da planta, gemas laterais, que ficam na região do nó, onde também ficam inseridas as folhas. Segue a baixo uma foto mostrando um caule de orquídea e seus nós e entrenó.



Nesta foto não fica claro a posição das gemas, pelo fato que elas ou estão inativas ou completamente caducas e assim elas quase não são visíveis.
Quanto aos tipos de caules presentes nas orquídeas em geral nas monopodiais temos caules herbáceos, sem estruturas de acúmulos de reserva, como em Vandas e Phalaenopsis e nas simpodiais temos os caules do tipo Rizoma, que liga um outro tipo de caule ao outro que pode ser um pseudobulbo, que no meio orquidófilo é comumente chamado de "bulbo" e esse sim tem estrutura de reserva o que permite a planta suportar melhor os períodos de dificuldades, mas também podem ter caules herbáceos sem reserva e caules do tipo colmo, como em Cana-de-Açúcar. Segue agora fotos mostrando os diferentes tipos de caules.

Rizoma entre 2 pseudobulbos

Caule herbáceo típico de Monopodiais

Pseudobulbos bem definidos

Caule lembrando um fino colmo em Arundina.

Caule pequeno e herbáceo de sapatinhos(PaphiopedilumPhragmipediuns , etc)

Caule herbáceo carnoso de Ludisia


Depois de terem visto as variações que podem ocorrer nas orquídeas em relação a caule vamos falar um pouco de cada um deles.


O Rizoma é o caule que está sempre crescendo no sentido do substrato e ele é o "elo de ligação"entre um pseudobulbo ao outro ou outros tipos de caule e este rizoma é de onde surgem as raízes e ele também possui nós e entrenós bem definidos e gemas viáveis que dão origem aos brotos novos que formam mais um seguimento de rizoma, pseudobulbo ou outro tipo de caule, folhas e hastes florais. O Rizoma ao contrário do que muitos pensam é o principal órgão de reprodução propagativa utilizada para replicar as orquídeas pelas suas características de grande poder de regenerar uma planta inteira, desde que se tenha alguns pseudobulbos em seu seguimento, tanto que é possível recuperar uma planta que tenha apenas um pseudobulbo e parte de rizoma, embora essa recuperação será bem mais demorada, se caso o corte tivesse de 3 a mais pseudobulbos e isso também varia de acordo com a espécie. Os rizomas também são por onde os nutrientes e água vindo das raízes passam primeiramente antes de subirem para o resto da planta, sendo assim o principal "canal de comunicação" em uma planta de orquídea do tipo simpodial. Segue agora fotos de diferentes rizomas.

Rizoma de Cattleya tamanho mediano

Rizoma de Bulbophyllum bem longo

Rizoma de Dendrobium bem curto


Depois do rizoma a próxima estrutura são os caules que crescem no sentido parra fora do substrato e podendo apresentar diversas formas de crescimento, sendo estes os responsáveis por portar as folhas, hastes florais e etc. Estes caules podem ser os pseudobulbos, que ocorrem em boa parte das orquídeas, sejam epífitas, rupícolas ou mesmo as terrestres. Esses são caules bastante especializados com a principal função de reserva de água e nutrientes, o que permite a essas orquídeas uma melhor adaptação a ambientes que seriam desfavoráveis para diversas outras plantas e esses pseudobulbos podem possuir formas variadas, ovalados, mais arredondados, mais elíptico e outras formas variando de espécie para espécie. Outras simpodiais como Arundinas podem ter caules como se fossem colmos que são aqueles caules com nós bastante definidos e eles podem ser carnosos ou secos, sendo que neste caso eles são carnosos, embora sejam finos, porem essas plantas possuem pouca capacidade de reserva o que fazem ser mais dependente de umidade constante e nutrientes no substrato em que vivem. Outras simpodiais podem ter pequenos caules herbáceos, muitas vezes difíceis até de visualizar como em algumas terrestres e também muito presente no grupo dos "Sapatinhos", sendo estes caules não possuem tecidos de reserva o que torna essas plantas muito mais sensíveis a seca e o outro caso são os caules herbáceos carnosos como os do grupo das "Orquídeas jóias", como a Ludisia discolor. Segue agora fotos mostrando diferentes formas de pseudobulbos, caules lembrando colmos, caules herbáceos curtos e caule de "Orquídeas Jóias".

Pseudobulbos de Encyclia

Pseudobulbos de Anachelium

Pseudobulbo de Oncidium lanceanum

Pseudobulbo de Oncidineas

Pseudobulbo de Oncidineas

Pseudobulbo de Cattleya

Pseudobulbo de Cattleya

Pseudobulbo de Cattleya

Pseudobulbo de Oeceoclades maculata

Pseudobulbo de Cattleya

Pseudobulbo de Phaius

Pseudobulbo de Bulbophyllum

Pseudobulbo de Cyrtopodium

Pseudobulbo de Catasetum

Colmo de Arundina

Caule herbáceo de Phragmipedium

Caule herbáceo carnoso de Ludisia discolor


Outros tipos de caules:

Além dos caules já citados existem ainda os caules responsáveis por segurar as inlorescências e suas ramificações e flores e em geral esses caules se apresentam como hastes, em geral finas, algumas mais grossas, podendo ser curtas ou bem longas com poucos ou vários nós com 1 gema cada nó e algumas dessas hastes podendo soltar filhotes chamados de "keikes" que podem dar origem a uma nova planta completa. Outros ainda lembram colmos que depois de seco se apresentam ocos, como as hastes florais de Cyrtopodiuns. Segue agora fotos de algumas hastes florais.

hastes florais em desenvolvimento


Haste floral desenvolvida


haste floral ramificada




Folhas:

Após ter falado de caule gente a próxima parte importante e a maior responsável pela produção de alimento na planta e que está ligada ao caule são as folhas. As folhas, de fato são a parte mais simples de identificar e talvez a mais visível nas plantas e essas são os órgãos principais que fazem a fotossíntese, isso se deve a sua especialização para isso, como grane concentração de cloloríla em suas células, o que lhes confere suas colorações mais intensas, sua forma planta na maior parte das vezes, o que lhes conferem uma maior superfície para captação de luz, dentre outras coisas também. Nas orquídeas as folhas possuem uma enorme variação, mas seguindo algumas linhas, ao qual é comum entre as monocotiledôneas elas possuem sua nervação paralela(com algumas poucas exceções) e a presença de bainhas que abraçam os seus caules. Quando essas folhas possuem bainha, Pecíolo, que é a parte mais estreitada dela que muitas vezes lembra um "cabinho" e o limbo, que é a parte plana e mais larga da folha elas são ditas folhas completas, entretanto muitas orquídeas não possuem folhas completas e não possuem bainhas, por exemplo, outras folhas apenas tem bainhas e não tem o restante, como as folhas que recobrem um broto em crescimento. O fato é gente que as orquídeas possuem uma enorme variação de suas folhas em relação a forma, coloração, textura e consistência, sendo que podem ter folhas bem membranáceas(finas e delicadas), bem coriáceas e até mesmo com aspecto de folhas de suculentas bem grossas e quanto ao formato também existe uma diversidade em formatos, umas mais lanceoladas(forma de lança), outras mais ovaladas ou elípticas e outras até com formato de coração. Também muitas orquídeas possuem as chamadas folhas teretes, que são roliças lembrando folhas de cebolinha ou alho, por exemplo. Muitas possuem apenas rudimentos foliares ou mesmo nem possuem folhas, como a famosa "Orquídea Fantasma". Segue agora algumas fotos de diferentes folhas de orquídeas.

Nervação paralela

Folha de Brassia

Folha de Cattleya

Folha de Grammatophyllum

Folhas de Phymatidium

Folhas teretes de Brassavola

Folhas de Phaius

Folhas de Laelia e Cattleyas

Folhas de Paphiopedilum

Folhas de Ludisia

Folhas de Catasetum

Folhas de Arundina

Folhas em senescência de Cyrtopodium

Folhas de Epidendrum

Folhas de Bifrenaria

Folhas em senescência de Dendrobium

Folhas maculadas de Oeceoclades
'

Folhas de Phalaenopsis


Outro detalhe importante e que tem grande importância para o cultivo é o fato em que existem orquídeas que possuem folhas caducas, ou seja, que caem em certo período do ano e a planta entra em um estadium de dormência que muitas vezes pode ser sucedida por florações, mesmo sem folhas e a importância nisso é o fato em que essas plantas que passam por período de dormência perdendo as folhas em geral as regas e adubações devem ser suspensas ou reduzidas consideravelmente dependendo da espécie. Um exemplo disso são os Catasetuns e Cyrtopodiuns que tem esse período bem definido e então eles perdem suas folhas e entram em dormência ficando sem nenhuma folha e a rega deve ser quase que suspensa e adubação completamente cortada até o reinício das suas atividades. Outras plantas que tem folhas caducas são alguns tipos de Dendrobiuns e algumas terrestres.
Outro aspecto importante a se falar de folhas é quanto sua quantidade por nó e sua disposição em um caule que é chamado de filotaxia. Quanto a quantidade de folhas por nó em orquídeas, se não em todas as orquídeas, mas em quase todas são de apenas uma folha por nó e como na axila de cada folha está localizada uma gema lateral(olhinho) podemos dizer que a orquídea possui apenas uma gema por nó e quanto a filotaxia também se não é em todas é na grande maioria de de folhas alternas, mas podem ter outras disposições também. Segue fotos mostrando esse detalhe das quantidade de folhas por nó e da disposição das folhas em um caule.

folhas alternas



Outras característica que varia muito é o número de folhas que podem ter em um caule de orquídea seja pseudobulbo, colmo ou caules herbáceos curtos ou carnosos, sendo que tem orquídeas que podem ter de 1 apenas a 2 ou 3 ou várias, mas sempre um número relativamente definido dentro do grupo das simpodiais e no caso das monopodiais o número de folhas é sempre indefinido.

Folhas modificadas ou reduzidas:

Pois bem, não são só as folhas principais das orquídeas que merecem atenção, pois além dessas folhas existem outros tipos de folhas incompletas ou modificadas existentes que não estão ligadas diretamente com a fotossíntese, mas sim com função de proteção de brotos novos ou de botões e hastes florais e também em alguns casos com papel de atração de possíveis polinizadores. As folhas que recobrem um broto em desenvolvimento, na verdade é composto basicamente de bainha de folhas ou folhas bem reduzidas e em geral costumam ser mais duras, provavelmente para garantir uma proteção aos brotos novos que estão se formando e ainda são muito frágeis e tenros, um prato cheio para pragas e doenças oportunistas, mas logo assim que esses brotos atingem a maturidade essas folhas tendem a secar e cair ou permanecer na planta como uma palha que pode virar um pequeno problema para algumas espécies cultivadas, como Cattleyas por virá um abrigo para cochonilhas, sendo assim recomendado sua remoção após completa secagem. Segue agora foto de broto novo com essas folhas reduzidas.


folhas reduzidas a bainha em broto novo

diferença entre folhas reduzidas a bainha e a folha completa começando a desenvolver.


OBS:

Caso tenham interesse vale a pena dar uma olhada na postagem sobre Desenvolvimento de "Bulbos de Orquídeas do Grupo Cattleya".

Após falar das folhas que recobrem brotos novos é hora de falar de folhas que tem papel na preparação da planta para o período reprodutivo, sendo essas as chamadas brácteas, que podem assumir diversas formas e tamanhos e funções, sendo a função mais comum a proteção e dentro dessas a que mais se destaca nesse papel é as espatas que são um tipo de bráctea que em geral se encontra fechada criando um ambiente fechado do meio externo garantindo assim uma segurança as hastes e botões que ali se desenvolvem, porem elas possuem uma região de maior fragilidade que serve para que os botões ou haste quando estiverem prontos para sair possam romper essa espata sem grandes dificuldades. Algumas plantas podem até apresentar espatas duplas, outras podem não apresentar espatas e outras podem apresentar outros tipos de brácteas, as vezes muito pequenas, outras vezes mais chamativas, como no caso dos cyrtopodiuns, mas o que caracteriza ser uma bráctea é ela está presente em uma haste floral, próxima de botões ou ramificações de hastes florais e as espatas que podemos assim dizer são o primeiro seguimento a aparecer de uma futura haste floral e que protege todo o restante que ali virá. Segue agora foto de espatas e outras brácteas.


espata em desenvolvimento.

espata seca completamente desenvolvida

espata seca completamente desenvolvida

espata verde completamente desenvolvida

detalhe de Bráctea e uma gema iniciando a brotação de ramificação

detalhe de uma bráctea


OBS:

Existem plantas que florescem com espatas secas e outras com espatas verdes, portanto se uma espata secar antes de fazer cortes é sempre bom se conhecer sobre essa planta e saber se ela floresce de espata verde ou seca ou das duas maneiras, pois muitas vezes pode-se ta perdendo uma floração por está cortando uma espata seca por achar que a planta abortou e na verdade ela tem a característica de florescer com espata seca.





inflorescência é um termo que diz respeito ao "conjunto da obra", ou seja,  é o que diz respeito a quantidade de flores em uma haste, a posição em que essa haste surge, a disposição em que essa haste se encontra e se ela produz flores indefinidamente ou de forma definida. Em orquídeas ocorrem vários tipos de inflorescências possíveis nas plantas, mas nessa postagem, não vou me ater em falar de cada tipo nem dos nomes, mas colocarei link para quem quiser aprofundar mais no assunto inflorescência.
sobre inflorescência uma coisa importante em orquídeas é a quantidade de flores que ocorrem, pois essa varia muito de espécie para espécie, mas tem orquídeas que formam apenas uma flor por inflorescência, enquanto outras podem formar verdadeiros cachos com centenas de flores. Outro aspecto importante é a posição em que essas inflorescências surgem, sendo que elas em orquídeas podem surgir de forma apical, quando essas saem do topo dos caules; laterais, quando essas saem de uma gema lateral do caule ou basais quando essas saem de uma gema da base do caule no nó mais próximo ao rizoma ou do próprio rizoma e essas hastes podem ser eretas, pendentes ou ainda podem crescer em direção ao substrato e saírem por baixo dos recipientes de cultivo, como as Stanhopeas. Estas também podem ser simples ou ramificadas e quanto aos tipos mais comuns estão os cachos, mas também podem ocorrer espigas compactas e outras inflorescências com número definido de flores. Infloresências formando umbelas(formato de guarda chuva invertido) e forma de leques também são encontrado nas orquídeas. Também podem ocorrer inflorescências compostas que é quando ocorrem mais de um tipo de infloresência na mesma inflorescência. Segue agora fotos mostrando posição das inflorescências, e seus tipos e quantidade de flores.

Inflorescência de uma ou poucas flores em posição apical.

inflorescências em desenvolvimento em posição lateral.

Inflorescência em desenvolvimento de apenas uma flor em posição basal.

Inflorescência de 1 a poucas flores em posição apical vinda de falso pseudobulbo

Inflorescência de 1 a poucas flores em posição apical vinda de falso pseudobulbo

Inflorescência de 1 a poucas flores e também simpodial

Inflorescência racemosa ou monopodial sem ramificação

Inflorescência racemosa ou monopodial sem ramificação

Inflorescência racemosa ou monopodial

Inflorescência do tipo espiga

Inflorescência do tipo espiga

Inflorescência do tipo espiga






por fim chegamos na parte principal das orquídeas que é o que realmente faz com que todos cultivem-as que são suas belas e exóticas flores, mas esse órgão, tão maravilhoso e complexo não foi feito pelas plantes que produzem flores para que os humanos possam apreciar e sim para a reprodução e para tal fim é exigida essa complexidade para que ela tenha sucesso em seu propósito, mas para isso a planta tem que demandar uma alta taxa de energia para poder sustentar todo esse aparato, por isso devemos ter atenção especial com elas. 
Em orquídeas as flores que são a principal característica da família Orchidaceae possuem 3 sépalas, que são as peças mais externas, 3 pétalas, que são as peças mais internas, sendo que uma dessas é modificada e denominada de labelo, e este tem a função de servir de pista de pouso para o polinizador e por este motivo ela costuma possuir coloração diferenciada, riscos, pintas e traços que indicam o caminho, nectários e locais com um óleo aromático(em algumas espécies) que algumas espécies de abelhas utilizam para atrair parceiros. Todas as flores de orquídeas seguem esse padrão, podendo ter claro algumas variações importantes, como no caso dos sapatinhos, como os Paphiopediluns que possuem a sépala dorsal completamente diferente das outras duas laterais que são fundidas formando uma só e essa sépala dorsal é colorida e curvada por cima do labelo que forma um copo protegendo assim de entrar água nele e essa sépala dorsal costuma ter vários desenhos que provavelmente deve servir para indicar o possível polinizador a onde ele deve ir.O tamanho das flores também varia muito podendo ser bem pequenas do tamanho da cabeça de um alfinete praticamente, até flores bem grandes de mais de 1 palmo de diâmetro. Mas, a característica mais marcante da flor e da família é a parte reprodutiva propriamente dito, pois ela consiste na fusão do órgão feminino com o masculino que é chamado de coluna e outra característica é que na maior parte das orquídeas o seu pólen está aglomerado em uma massa firme denominada polínea que pode ter várias cores e tamanhos. Quanto ao ovário este se encontra abaixo das peças florais e por isso ele é denominado de ínfero e quando a flor recebe o estímulo da polinização ele produz muitas vezes centenas de milhares de óvulos que com a fecundação dão origem a centenas de milhares de sementes muitas vezes. Segue agora uma foto ilustrativa mostrando as principais peças florais e as partes da coluna sem muito detalhamento, até pelo fato que a  foto não permite isso.







OBS:

Pelo fato das flores das orquídeas possuírem toda essa complexidade vale ressaltar que o gasto de energia da planta para manter estas é bastante alto e assim se uma planta não se encontra em seus melhores estados de saúde e ela venha a florescer é sempre bom avaliar se essa planta está em condição de manter a floração, pois muitas vezes isso pode ser decisivo para ela viver ou morrer e o melhor a se fazer nesses casos é polpar ela dando um descanso eliminando a floração fora para que ela possa se fortalecer.

Vejam também as postagens: Ressupinação 1 e Ressupinação 2




A flor abriu, o inseto veio e polinizou a flor, os óvulos no ovário foram produzidos, o tubo polínico cresceu dentro da coluna até chega no ovário e seus núcleos vieram e fecundaram os óvulos e assim o ovário então começou a se desenvolver e assim se transformou em um fruto que passa a se desenvolver e os óvulos la dentro começam a dar origem as sementes e esse fruto, assim como em um útero irá fornecer proteção e alimentação para as sementes que ali se desenvolvem. Pois bem gente, esse fruto nas orquídeas é do tipo cápsula que é um fruto seco do tipo descente, ou seja, ele se rompe ao amadurecer e assim libera as sementes e seu tempo de desenvolvimento varia de espécie para espécie, podendo ser de pouco menos de 3 meses até mais de 1 ano para seu completo desenvolvimento. Quanto a forma, ele costuma lembrar uma carambola e é dividido em 3 partes, porem ele pode possuir algumas variações em sua forma e com a exceção das vanillas que possuem uma cápsula que lembra mais uma vagem e suas sementes são bem maiores e diferentes das demais orquídeas, essas cápsulas possuem sempre sementes bem miúdas e leves. Segue agora foto de cápsulas e corte de cápsulas imaturas.
cápsula madura

cápsula madura

cápsula imatura de Dendrobium

cápsula imatura de Phalaenopsis

Cápsula madura de Cattleya


Corte transversal de cápsula ampliado

OBS; 

Como já dito nas flores também as cápsulas em formação demandam muita energia das plantas e para isso alguns cuidados devem ser tomados para a planta não se esgotar ou as sementes ficarem com uma qualidade ruim. Para mais detalhe quanto ao cuidado de cápsulas veja na postagem: Semeio e Recultivo de Orquídeas - Manutenção de Matrizes.



Para terminar gente chegamos na semente, sendo que em orquídeas as sementes são, tirando as Vanillas, muito pequenas, desprovidas ou com pouco tecido de reserva(endosperma) e por esta razão elas na natureza dependem da associação com fungos micorrízicos que formam a estrutura chamada de micorriza, por onde a semente consegue receber alimento e assim consegue se desenvolver inicialmente, o que faz com que a sobrevivência de plantas na natureza seja muito baixa, mas as sábias orquídeas não produzem grandes quantidades de sementes que podem ser facilmente levadas pelo vento atoa. Quanto ao formato ele varia muito de espécie para espécie e também existe uma certa diferença de tamanho entre as espécies, entretanto elas são bem pequenas e sem reserva. Segue agora foto mostrando o aspecto de pó que elas apresentam a olho nu.





Então gente, terminamos essa viagem ao mundo das orquídeas mais uma vez mostrando suas principais partes e sua importância para planta e consequentemente para o cultivo e como sempre digo que caso surja dúvidas ou tenham críticas e/ou sugestões a fazerem é só entrar em contato que terei o prazer de ver e ajudarem caso for o caso. No mais é isso e e para quem tiver interesse em se aprofundar mais neste assunto seguirá links de onde fiz algumas consultas que podem ser interessantes para a leitura. 

Até a próxima com mais novidades gente!

Links para consulta:









15 comentários:

  1. Parabens pelo excelente trabalho, não só para os leigos, mas tambem para que os orquidofilos se reciclem.
    Um abraço,
    Eliete

    ResponderExcluir
  2. Simplesmente amei esse post! Vou ler novamente com mais calma qualquer dia! Parabéns pelo seu trabalho maravilhoso!

    ResponderExcluir
  3. Prezado, Dr. Andrew, bom dia, gostaria de saber? Uma Vanda tem raízes novas e mais velhas, sendo que, as mais antigas começam a secar e ficam parecendo até fiapo seco, sendo que a Vanda se renova e esta emitindo raízes novas, o que faço com as antigas, deixo que caiam? ou eu mesmo vou e faço a limpeza cortando na base as antigas?
    Aguardo retorno, Luciano.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Luciano! Quando ela estiver com um bom número de raízes totalmente secas você pode removê-las lembrando de esterilizar bem antes a ferramenta por via das dúvidas.
      Bom tendo outras dúvidas é só entrar em contato, no mais tenha uma excelente semana e até a próxima!

      Excluir
  4. Muito obrigada, dr. Andrew, farei a limpeza.
    Até mais Luciano.

    ResponderExcluir
  5. Boa Noite Luciano
    Por gentileza poderia me dizer quando faço a polinizaçao da flor de uma orquidea, seria logo quando ela abre ou dias depois de aberta, existe um dia certo, pois ja fiz varias vezes e todas dao certo mas so dura uns dias e depois more, pode me ajudar?
    Grato
    Romulo.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Romulo! O ideal para fazer a polinização é esperar a abertura e maturação plena da flor, para isso espera alguns dias após ela terminar de abrir para garantir que ela esteja madura. O tempo de maturação da flor varia de espécie para espécie, mas nas que tem cheiro é mais fácil pois assim que ela começar a cheirar já está apta a ser polinizada.
      Espero ter ajudado, mas tendo mais dúvidas é só entrar em contato novamente. Forte abraço e até a próxima!

      Excluir
  6. Boa tarde!to extremamente feliz em ter achado esse blog seu.nunca tinha visto tanta explicação assim tão bem feita.vc tá de parabéns.amo orquídea.gostaria de saber se mandar fotos das minhas se me ajuda a nomear as mesma e se mando no seu email?o meu é mariahelenac.2010@hotmail.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Maria! Pode sim! Envie para o e-mail do blog: orquideassemmisterio@gmail.com

      Aguardo o e-mail para te ajudar melhor. Forte abraço e até a próxima!

      Excluir
  7. Olá, ganhei minha primeira orquídea há 4 meses, me apaixonei e adquiri mais alguns exemplares.
    Tenho lido seu blog, o que tem me ajudado muito.
    Mas tenho uma questão, ganhei uma phalaenopsis há 2 semanas, e ela me parece bem fraca, com floração de apenas 2 flores, e só tem 1 única folha.
    Estava aguardando as flores cairem para trocar de vaso, mas agora que li aqui, estou pensando em cortar a haste floral e iniciar os cuidados para que ela se desenvolva.
    Minha pergunta é: Depois de abortar a floração dela, quanto tempo posso inciar a adubação e muda-la pra um vaso de cerâmica?
    Des de já agradeço a atenção.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá!! realmente cortar a haste floral ajuda muito para recuperar a planta, agora veja também como está a qualidade do substrato dela, se não está velho demais e quando for replantar use vasos proporcional ao tamanho da planta, nunca coloque em vasos grandes, prefira vaso do mesmo tamamho em que ela se encontra. Use substratos de qualidade adquiridos em orquidários e nunca de floriculturas ou lojas de jardinagem. Já faça a adubação desde já, na verdade não preciso suspender a adubação durante a floração, como é falado por aí e sim pode-se adubar normalmente para manter a planta forte. Para replantar espere o tempo esquentar um pouco e ela começar a colocar folha nova e raízes novas. Caso o substrato esteja velho demais faça furos laterais no vaso para aumentar a ventilação e acelerar a secagem. Um bom adubo que você pode usar com ótimos resultados e prático é o Biofert Orquídeas que existe já pronto uso. Ele é completo e balanceado e deve ser usado semanalmente.
      Espero ter ajudado, mas tendo mais dúvidas é só perguntar. Forte abraço e até a próxima!

      Excluir
    2. Andrew, muito obrigada pelas dicas, vou aproveita-las, com certeza.
      O substrato esta bem novo, então vou só trocar de vaso, justamente por que o que ela está é bem grande.
      Parabéns pelo blog.
      Abraço.

      Excluir
  8. oi gostaria de saber a espécie de orquidea da ultima foto de floração ramificada, tenho um oncidium ou acho, que tem uma inflorecencia de 3m, numca vi as flores so os botoes são paressidos com o da foto,ganhei recentemente muda de uma orquidea que a planta mãe tinha uma floração muito grande e estava entre as folhas de uma arvore ela quebrou e a pessoa que me deo a muda n lembra como era a flor gostaria de saber a espécie.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Olá Leonardo! Aquele da haste ramificada da foto é um Oncidium ciliatum. O qu você deve está falando é o Oncidium bauerii que a haste pode passar dos 4m e outro que também da hastes grandes é o Oncidium sphacelatum.

      Excluir